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Capítulo 8 – Vidas em verso e as vozes de um país diverso

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Capítulo 8 – Vidas em verso e as vozes de um país diverso

Resumo completo

Capítulo 8 – Vidas em verso e as vozes de um país diverso

Resumo completo

1Versos e rimas: uma forma antiga de se expressar

O poema é um gênero textual bem antigo. Civilizações muito antigas, como a mesopotâmica, já usavam poemas para contar o que viviam, aprendiam e sentiam.

Esses textos eram organizados em versos (as linhas do poema) e em rimas (sons parecidos no fim das linhas). Isso deixava tudo mais fácil de decorar.

Por isso, os poemas ajudavam a passar histórias de boca em boca, mesmo entre pessoas que não sabiam ler nem escrever.

Exemplos

  • Verso é cada linha: Cada língua se acomoda, é um verso.
  • Rima é o som parecido no fim dos versos: vento rima com tempo e com invento.

Elementos básicos do poema

ElementoO que éExemplo
VersoCada linha do poemaJunto ao braseiro, no chão,
EstrofeUm grupo de versos separado por espaçoOs 6 primeiros versos de Canção do africano
RimaRepetição de sons iguais ou parecidossenzala / sala

1.1O poema no Brasil

No Brasil, os primeiros registros de poema vieram com a chegada dos portugueses, a partir de 1500, na colonização.

Hoje, porém, os poemas brasileiros dão voz aos mais diversos descendentes do povo brasileiro: os povos que já viviam aqui (indígenas) e todos os que chegaram depois, como os africanos e os europeus.

Por isso, ler poemas é também conhecer as muitas vozes e culturas do nosso país.

Exemplos

  • Lázaro Ramos (autor negro, de Salvador) escreve sobre o jeito de falar do brasileiro.
  • Márcia Wayna Kambeba (autora indígena, do Amazonas) escreve sobre seu povo e o rio Solimões.

2Texto em cena: o poema 'Sotaque', de Lázaro Ramos

No livro Caderno de rimas do João, o escritor Lázaro Ramos criou a personagem João, um garoto curioso que descobriu que, rimando, podia falar de tudo o que via e sentia.

No poema Sotaque, João percebe que a língua muda com o tempo e muda também de lugar para lugar. Ele cita palavras como oxente, uai e tchê.

A mensagem final é de respeito: "Não tem certo nem errado, / só um pouco diferente". Ou seja, nenhum sotaque é melhor que o outro.

Lázaro Ramos nasceu em Salvador (BA), cidade com a maior população negra fora da África, e costuma colocar personagens negras como protagonistas de seus livros.

Exemplos

  • Trecho: "Cada língua se acomoda, / eu não sei se é pelo vento. / Mas uma coisa notei: / ela muda com o tempo." → a característica notada é que a língua muda.
  • "Dizem que é a geografia" → o lugar onde a pessoa mora influencia o jeito de falar.
  • "outros dizem que é invento" → as pessoas criam palavras novas, como as gírias.

Sotaques citados por João no poema

ExpressãoRegião onde é mais usadaSentido/uso
OxenteNordesteExpressa espanto, surpresa ou dúvida
UaiMinas Gerais (Sudeste)Expressa surpresa ou estranhamento
TchêRio Grande do Sul (Sul)Forma de chamar ou tratar alguém, como amigo

2.1O que é sotaque

Sotaque é o nome dado às diferenças de pronúncia entre falantes de uma mesma língua. É o "jeito de falar" de cada lugar.

Os sotaques mudam conforme a região e as influências que as pessoas daquele lugar receberam ao longo do tempo.

Atenção: além do som das palavras, o poema mostra que também muda o vocabulário, ou seja, as palavras próprias de cada região (oxente, uai, tchê).

Exemplos

  • A palavra tormento no poema não significa que João acha o sotaque errado: ela serve para manter a rima com vento e invento.
  • "só um pouco diferente" fala do jeito de FALAR, e não do jeito físico das pessoas.

3Texto em cena: 'Canção do africano', de Castro Alves

Castro Alves (1847-1871) também nasceu em Salvador, mas viveu numa época em que os africanos e seus descendentes eram escravizados no Brasil.

Em seus poemas, ele deu voz a esses povos e mostrou uma visão crítica da escravidão. Em Canção do africano, um homem escravizado canta na senzala e chora de saudade da sua terra (torrão).

O poema tem duas vozes: uma que narra a cena (1ª estrofe) e outra que é o próprio canto do africano (estrofes seguintes, marcadas por aspas).

Importante: hoje usamos a palavra escravizado no lugar de "escravo", porque a escravidão foi uma condição imposta às pessoas, e não uma característica delas.

Exemplos

  • Sentimentos do africano no poema: saudade (Saudades do seu torrão), tristeza (correm-lhe em pranto) e indignação (A gente lá não se vende / Como aqui, só por dinheiro).
  • Sentido figurado: O Sol faz lá tudo em fogo, / Faz em brasa toda a areia = o sol aquece/incendeia.
  • Sentido figurado: Entoa o escravo seu canto = ele canta.
  • Sentido figurado: E ao cantar correm-lhe em pranto = ele chora.
  • Rimas da 1ª estrofe: senzala (a) / sala (a) / chão (b) / canto (c) / pranto (c) / torrão (b).

Vocabulário do poema

PalavraSignificado
braseiroRecipiente com brasas para aquecer o ambiente
entoarCantar em voz alta
papa-ceiaEstrela da tarde; o planeta Vênus
terreiroEspaço de terra largo e plano
torrãoTerritório; local de origem

As duas vozes do poema

VozOnde apareceMarca no texto
Narrador (eu lírico que descreve)1ª estrofeConta a cena da senzala
Africano escravizadoEstrofes seguintesVem entre aspas (" ")

3.1Eu lírico

Nos poemas, a voz que fala com o leitor se chama eu lírico (ou eu poético).

Cuidado: o eu lírico não é o autor. É uma voz criada pelo autor para expressar sentimentos, ideias e opiniões.

Em Canção do africano, por exemplo, o eu lírico é um homem africano escravizado — mas quem escreveu foi Castro Alves.

Exemplos

  • Em Sotaque, o eu lírico é o garoto João.
  • Em Os filhos das águas do Solimões, o eu lírico fala em nome do povo Kambeba.

3.2Rimas: ritmo e musicalidade

As rimas dão sonoridade, musicalidade e ritmo ao poema. Elas ajudam o leitor a entrar na cadência do texto e a sentir as emoções.

Quando o padrão das rimas muda no meio do poema, o ritmo da leitura também muda. Isso chama a atenção do leitor para aquela parte.

No fim de Sotaque, por exemplo, o ritmo muda porque as rimas passam a ficar mais próximas umas das outras, dando destaque à mensagem de respeito.

Exemplos

  • Padrão da 1ª estrofe de Canção do africano: a-a-b-c-c-b (senzala/sala; chão/torrão; canto/pranto).

Tipos de disposição das rimas

TipoComo funcionaExemplo
EmparelhadasVersos seguidos rimam (a-a-b-b)canto / espanto — nação / coração
AlternadasRima 1º com 3º e 2º com 4º (a-b-a-b)lembrança / criança — cuidado / passado
OpostasRima 1º com 4º e 2º com 3º (a-b-b-a)amigo / abrigo — gente / contente

4Linguagem em foco: o VERBO

Verbo é a classe de palavras que, sozinha, já expressa um fato. Esse fato pode ser uma ação, um estado ou um fenômeno da natureza.

No trecho "uma coisa notei: ela muda com o tempo", temos dois verbos: notei (ação de João) e muda (ação da língua).

O verbo também é uma palavra variável: ele muda de forma para mostrar o tempo (passado, presente, futuro) e a pessoa do discurso (eu, tu, ele, nós...).

📐 Para guardar

  • Verbo = ação + estado + fenômeno da natureza
  • Flexão do verbo = tempo (passado / presente / futuro) + pessoa (1ª, 2ª, 3ª) + número (singular / plural)

Exemplos

  • Ação: O africano canta com saudade da sua terra.
  • Estado: O Brasil é diverso culturalmente.
  • Fenômeno da natureza: Amanhece lindamente no continente africano.
  • Tempo: cantou (passado) – canta (presente) – cantará (futuro).
  • Pessoa: cantou → 3ª pessoa do singular (ele); cantamos → 1ª pessoa do plural (nós).

O que o verbo pode expressar

Tipo de fatoExemplo de fraseVerbo
AçãoO africano canta com saudade.canta
EstadoO Brasil é diverso culturalmente.é
Fenômeno da naturezaAmanhece no continente africano.amanhece

4.1Verbos que indicam fenômenos da natureza

Verbos como chover, ventar, nevar, trovejar e amanhecer indicam fatos que acontecem sozinhos, sem que alguém os realize. Por isso eles são chamados de impessoais.

Mas, se usados em sentido figurado, eles deixam de ser impessoais e passam a ter um sujeito.

Exemplo: em "Ele amanheceu mal-humorado", quem amanheceu foi ele — o verbo virou pessoal.

Exemplos

  • Impessoal: Choveu muito ontem. (ninguém realiza a ação)
  • Pessoal (sentido figurado): Ele amanheceu mal-humorado.

4.2Locução verbal

Locução verbal é uma expressão formada por dois verbos que, juntos, valem por um verbo só.

Ela tem duas partes: o verbo auxiliar (o primeiro, que ajuda e indica tempo e pessoa) e o verbo principal (o último, que carrega o sentido).

Nas locuções, o verbo auxiliar é quem mostra o tempo (presente, passado ou futuro) e a pessoa do discurso. O verbo principal aparece sempre numa forma nominal (terminada em -r, -do ou -ndo).

📐 Para guardar

  • Locução verbal = verbo auxiliar + verbo principal (valem por 1 verbo só)

Exemplos

  • Eu vou escrever um poema sobre o povo brasileiro. = escreverei (auxiliar: vou / principal: escrever)
  • Você vai conhecer as vozes do Brasil. = conhecerá
  • João havia observado o modo de falar das pessoas. = observara
  • Eles estavam lendo o poema, quando cheguei. = liam
  • A língua irá mudar com o tempo. = mudará (só mudará mantém a ideia de futuro; mudou é passado e vai sozinho não completa o sentido)

Identificando auxiliar e principal

FraseVerbo auxiliarVerbo principal
Ele está pensando em sua terra.estápensando
João andava criando rimas.andavacriando
Eu irei caminhar à tarde.ireicaminhar
Esse poema irá partir seu coração.irápartir
Eles haviam chorado de saudade.haviamchorado
Lázaro foi convidado para o evento.foiconvidado

4.3Formas nominais do verbo

As formas nominais são as formas do verbo que também podem funcionar como um nome: substantivo, adjetivo ou advérbio. Por isso o nome "nominais".

São três: infinitivo, particípio e gerúndio. Elas aparecem sempre como verbo principal das locuções verbais.

O truque para reconhecer é olhar a terminação: -r (infinitivo), -do (particípio) e -ndo (gerúndio).

📐 Para guardar

  • Infinitivo → termina em -ar, -er, -ir, -or
  • Particípio → termina em -ado/-ada, -ido/-ida
  • Gerúndio → termina em -ndo

Exemplos

  • Infinitivo como verbo: Vamos falar do Brasil. | como substantivo: O falar brasileiro é diverso.
  • Particípio como verbo: Ela havia bagunçado tudo. | como adjetivo: Era um quarto bagunçado.
  • Gerúndio como verbo: Ele estava rimando. | como advérbio: Ele falava rimando.

As três formas nominais

FormaTerminaçãoIdeia que expressaExemplos
Infinitivo-ar, -er, -ir, -orO fato verbal em sicantar, correr, partir, supor
Particípio-ado/-ada, -ido/-idaResultado da ação (ação concluída)falado, corrido, dormido
Gerúndio-ndoAção em andamentofalando, correndo, dormindo

Infinitivo e as três conjugações

O infinitivo é a forma "original" do verbo, aquela que aparece no dicionário: cantar, correr, partir.

Geralmente ele é impessoal (não muda de forma). Mas em alguns casos pode ser flexionado, virando infinitivo pessoal: Ela chegou para ver os meninos cantarem no festival.

Pela terminação do infinitivo, os verbos são organizados em três grandes grupos chamados conjugações.

📐 Para guardar

  • 1ª conjugação = -ar | 2ª conjugação = -er / -or | 3ª conjugação = -ir

Exemplos

  • aciona → infinitivo acionar → 1ª conjugação
  • durando → infinitivo durar → 1ª conjugação
  • colocamos → infinitivo colocar → 1ª conjugação
  • viu → infinitivo ver → 2ª conjugação
  • fosse → infinitivo ser (ou ir) → 2ª/3ª conjugação
  • tem → infinitivo ter → 2ª conjugação
  • segue → infinitivo seguir → 3ª conjugação
  • parte → infinitivo partir → 3ª conjugação

As três conjugações

ConjugaçãoTerminaçãoExemplos
-aramar, cantar, falar
-er / -orvender, comer, pôr, compor
-irsair, partir, dormir

Infinitivo: substantivo ou verbo principal?

FraseFunção do infinitivo
João queria brincar com as palavras.Verbo principal da locução verbal
O seu cantar é como um poema.Substantivo
Castro Alves precisava falar das injustiças.Verbo principal da locução verbal
O navio iria partir pela manhã.Verbo principal da locução verbal
Aquele amanhecer estava muito belo.Substantivo

Particípio

O particípio expressa o resultado da ação, ou seja, um fato já concluído. Ele costuma terminar em -ado/-ada ou -ido/-ida (e pode ganhar -s no plural).

O particípio também pode virar adjetivo, caracterizando um substantivo. Nesse caso, ele concorda em gênero e número: versos rimados, estrofes rimadas.

Cuidado com os particípios irregulares: alguns verbos não seguem as terminações comuns, como dizer → dito, fazer → feito, escrever → escrito, ver → visto, abrir → aberto, cobrir → coberto.

📐 Para guardar

  • Auxiliar TER ou HAVER → particípio REGULAR
  • Auxiliar SER ou ESTAR → particípio IRREGULAR

Exemplos

  • Como verbo: Nós havíamos realizado a tarefa.
  • Como adjetivo: Era um poema com versos rimados. / Todas as estrofes eram rimadas.
  • Irregular: Ele havia dito que viria cedo. / O portão ficou aberto.
  • Exercício: João havia percebido que a língua muda. (auxiliar HAVER → regular)
  • Exercício: Ele tinha imprimido um de seus poemas. (auxiliar TER → regular)
  • Exercício: A voz do povo brasileiro precisa ser escutada. (auxiliar SER)
  • Concordância: O texto será impresso / Os textos serão impressos / As páginas serão impressas.

Verbos com dois particípios (regular e irregular)

VerboRegular (com ter/haver)Irregular (com ser/estar)
imprimirEu havia imprimido o texto.O texto será impresso.
aceitarNós tínhamos aceitado o convite.O convite seria aceito.
agradecerEle havia agradecido pelo favor.Ele estava grato por tudo.
suspenderTinha suspendido a edição.A edição foi suspensa.
entregarHavia entregado a carta.A carta não foi entregue.

Particípios irregulares mais comuns

VerboParticípio
dizerdito
fazerfeito
escreverescrito
vervisto
abriraberto
cobrircoberto

Gerúndio

O gerúndio expressa uma ação em andamento, ou seja, que ainda está acontecendo. Ele é sempre formado com a terminação -ndo.

Ele também pode funcionar como advérbio (indicando o modo) ou como adjetivo (caracterizando alguém).

Dica: se a frase mostra algo acontecendo agora, o gerúndio é a forma certa. Ele estava chorando (está acontecendo) é diferente de Ele tinha chorado (já acabou).

📐 Para guardar

  • Gerúndio = radical + -ndo (falando, correndo, dormindo)

Exemplos

  • Valor de advérbio: Os alunos saíram da aula sabendo tudo do conteúdo. (o modo como saíram)
  • Valor de adjetivo: Gosto de ouvir pessoas cantando. (pessoas que cantam)
  • Ação em andamento: Ele estava chorando de saudade.
  • Reescrita: Eu estava a pensar sobre a língua portuguesa.Eu estava pensando sobre a língua portuguesa.
  • Reescrita: Ele aprendia muito quando lia.Ele aprendia muito lendo.

4.4Classificação dos verbos quanto à regularidade

O radical é a parte do verbo que guarda o seu significado. No verbo falar, o radical é fal-.

Um verbo é regular quando o radical não muda ao ser conjugado: eu falo, tu falas, ele fala, nós falamos.

Um verbo é irregular quando o radical muda em algumas formas: fazereu faço, ele faz; pedireu peço, ele pede.

Dica para descobrir: teste o verbo no presente, passado e futuro. Se o radical mudar de forma, ele é irregular.

📐 Para guardar

  • Conjugar = flexionar o verbo em pessoa, número, tempo e modo

Exemplos

  • Regular: contar → eu conto, tu contas, ele conta, nós contamos (o radical cont- nunca muda).
  • Irregular: ter → eu tenho, ele tem, nós tivemos (o radical muda).
  • Irregular: dizer → eu digo, tu dizes, ele disse (o radical muda).
  • Classificação rápida: foi (I – ser/ir), corre (R – correr), gritamos (R – gritar), quis (I – querer), vamos (I – ir).

Verbo regular x verbo irregular

PessoaFalar (regular)Fazer (irregular)Pedir (irregular)
eufalofaçopeço
tufalasfazespedes
ele/elafalafazpede
nósfalamosfazemospedimos
vósfalaisfazeispedis
eles/elasfalamfazempedem

5Panorama: 'Os filhos das águas do Solimões', de Márcia Wayna Kambeba

Márcia Wayna Kambeba nasceu em 1979, numa aldeia do povo Tikuna, na região do Alto Solimões (AM). Ela é geógrafa, escreve poemas, canta, recita e fotografa para fortalecer a história do seu povo.

No poema Os filhos das águas do Solimões, os "filhos das águas" são o povo Kambeba e os ribeirinhos, que vivem às margens do rio.

O poema mostra o rio em dois momentos: a enchente (quando ele vem veloz e furioso e destrói plantações) e a vazante (quando ele quase some e fica calmo). É um ciclo que se repete a cada estação e organiza a vida do povo.

Nas duas últimas estrofes há uma ruptura: o contato com o não indígena, que tomou as terras sagradas, escravizou os Kambeba e os deixou desaldeados (sem aldeia).

Exemplos

  • O poema tem 6 estrofes: cinco com 4 versos e a última com 6 versos.
  • Rimas: sustenta / vivente (1ª estrofe); furiosa / ... / plantação / estação (2ª estrofe); some / ... / surgir / destruir (3ª estrofe).
  • Nas cinco primeiras estrofes, as rimas são alternadas: rimam o 1º com o 3º verso e o 2º com o 4º.
  • Interpretação da 1ª estrofe: a água é essencial para o povo — sustenta como uma mãe, alimenta as plantas e serve de caminho (estrada) para o pescador.

Vocabulário do poema

PalavraSignificado
desaldeadoSem aldeia
forjarInventar
ribanceiraLugar alto e íngreme ao lado de um rio
ribeirinhoQuem vive às margens de rios
várzeaRegião à margem do rio que fica inundada nas cheias e vira terra fértil
vazanteÉpoca em que o rio está vazio, por falta de chuvas

Os dois momentos do rio Solimões

MomentoComo o rio é descritoEfeito sobre o povo
EnchenteVem veloz e furiosa, derruba ribanceirasDestrói a plantação, afeta indígenas e ribeirinhos
VazanteQuase some, água calminha, surge a praiaNão tem força para destruir a roça; deixa a várzea fértil

6Figuras de linguagem

As figuras de linguagem são recursos que deixam o texto mais expressivo e bonito. Elas exploram o sentido figurado das palavras, ou seja, um sentido diferente do sentido comum.

Elas aparecem muito em poemas, mas também em músicas, propagandas e até na nossa fala do dia a dia.

Neste capítulo você estudou cinco: comparação, metáfora, metonímia, personificação e ironia.

Resumo das figuras de linguagem

FiguraO que fazExemplo
ComparaçãoCompara dois elementos USANDO uma palavra de ligação (como, tanto, quanto, feito, que nem)Marina é inteligente como uma cientista.
MetáforaCompara dois elementos SEM palavra de ligaçãoOs olhos de Rafael são rios profundos.
MetonímiaTroca um elemento por outro por proximidadeLi Márcia Kambeba. (= li o livro dela)
Personificação (prosopopeia)Dá características humanas a objetos, animais ou coisasO dia acordou feliz.
IroniaDiz o contrário do que se pensa, para criticar ou fazer humorQue maravilha! Só tenho que subir 20 andares.

6.1Comparação e metáfora

Na comparação, dizemos que uma coisa é parecida com outra usando palavras como como, tanto, quanto, feito, que nem.

Na metáfora, a semelhança também existe, mas a aproximação é feita sem essas palavras de ligação. A gente fala como se uma coisa fosse mesmo a outra.

Para transformar uma na outra, é só tirar ou colocar a palavra de ligação.

📐 Para guardar

  • Comparação = elemento A + palavra de ligação (como, feito, que nem) + elemento B
  • Metáfora = elemento A + verbo ser (ou nada) + elemento B

Exemplos

  • Na 1ª estrofe de Os filhos das águas do Solimões: metáfora → A água é a mãe que sustenta e É estrada por onde anda o pescador.
  • Na mesma estrofe: comparação → A vida que nasce como uma flor.
  • Transformando metáfora em comparação: A água é como uma mãe que sustenta.
  • Transformando comparação em metáfora: A vida que nasce é uma flor.

6.2Metonímia

Na metonímia, trocamos um elemento por outro porque existe uma relação de proximidade entre eles.

Por exemplo: citamos o autor no lugar da obra, ou uma parte do corpo no lugar da pessoa inteira.

É como um atalho: todo mundo entende mesmo sem a palavra completa.

Exemplos

  • Neste fim de semana, li Márcia Kambeba. = li o livro dela (autor no lugar da obra).
  • Aqueles olhos curiosos aprenderam tudo rapidamente. = as pessoas (parte no lugar do todo).
  • Opção com metonímia no exercício: Ler Castro Alves é voltar no tempo... → o nome do autor está no lugar dos poemas dele.
  • Outro exemplo: Vou beber um copo. = beber o líquido que está no copo.

6.3Personificação (prosopopeia)

A personificação, também chamada de prosopopeia, dá características de ser humano a objetos, animais, plantas ou elementos da natureza.

Ela aparece em textos literários e também em textos do dia a dia.

No poema de Márcia Kambeba, a água ganha atitudes humanas: ela é mãe, faz nascer, é furiosa.

Exemplos

  • O dia acordou feliz. (o dia não acorda nem sente)
  • As folhas da árvore estão dançando ao vento. (folhas não dançam)
  • Na 4ª estrofe: Vive um povo que a água fez nascer, / Em um parto de dor e emoção → a água age como uma mãe que dá à luz.
  • No título: Os filhos das águas do Solimões → se o povo é filho, a água é a mãe. A personificação já aparece no título.

6.4Ironia

A ironia usa palavras com sentido diferente ou até oposto ao original, para provocar humor ou fazer uma crítica.

O leitor percebe pelo contexto que aquilo não deve ser entendido ao pé da letra.

Na escrita, as aspas podem marcar a ironia: elas avisam que a palavra não está sendo usada com o sentido de sempre.

Exemplos

  • Que maravilha! Só tenho que subir 20 andares porque o elevador está em manutenção. (não é maravilha nenhuma)
  • Fale mais alto! Da outra sala ainda não dá para ouvir. (na verdade, a pessoa está falando alto demais)
  • Na última estrofe do poema: Apresentados à "civilização" → as aspas mostram ironia: aquilo que chamaram de civilização foi, na verdade, roubo de terra, escravidão e exploração. A poeta critica esse falso progresso.

7O gênero POEMA: características principais

O poema é um gênero textual organizado em versos, que podem estar agrupados em estrofes.

Ele costuma usar recursos como as rimas e um uso especial e expressivo da língua, por meio das figuras de linguagem.

Um poema pode falar de qualquer assunto e despertar muitas emoções no leitor. Além disso, quase sempre permite mais de uma interpretação.

Quem fala no poema é o eu lírico (ou eu poético): uma voz criada pelo autor para expressar sentimentos, ideias e opiniões.

Exemplos

  • Poemas estudados no capítulo: Sotaque (Lázaro Ramos), Canção do africano (Castro Alves) e Os filhos das águas do Solimões (Márcia Wayna Kambeba).

Ficha do gênero poema

ItemCaracterística
EstruturaVersos (linhas) organizados em estrofes
Recursos sonorosRimas, ritmo, musicalidade
Recursos de sentidoFiguras de linguagem (comparação, metáfora, metonímia, personificação, ironia)
Voz que falaEu lírico (ou eu poético)
TemaQualquer assunto; permite mais de uma interpretação

8Você constrói: escrevendo o seu poema

A proposta é escrever um poema mostrando como você se percebe como parte deste país tão diverso que é o Brasil.

Siga os passos: primeiro planejar (o conteúdo e a estrutura das rimas), depois escrever e revisar, e por fim passar a limpo para o sarau, com leitura expressiva.

Na hora de planejar, escolha quantos versos terá cada estrofe e quais versos vão rimar entre si. Isso garante o ritmo do texto.

Exemplos

  • Rimas emparelhadas: *Quando soar meu canto / Não haverá espanto / Mas sim uma nação / Falando em meu coração*
  • Rimas alternadas: *De meus avós, guardo a lembrança / Do carinho e do cuidado / Que tive ainda criança, / Nos dias de meu passado*
  • Rimas opostas: *Ouça só, meu amigo / Venho falar dessa gente / Que vibra e vive contente / Tendo nosso país como abrigo*

Passo a passo da produção

PassoO que fazer
Passo 1Pensar no conteúdo: suas origens, influências, vivências e costumes
Passo 2Pensar na estrutura: quantos versos por estrofe e qual padrão de rimas
Passo 3Escrever a 1ª versão, dar um título e revisar
Passo 4Passar a limpo com letra legível e apresentar no sarau

Roteiro de revisão

AspectoPergunta de checagem
EstruturaO texto está escrito em versos? As rimas seguem o padrão escolhido?
ExpressividadeA linguagem figurada foi bem usada e deixou o poema mais expressivo?
PropostaO poema aborda o tema, expressando claramente sua voz brasileira?
EscritaAs palavras estão corretas? Os verbos estão no tempo e na forma adequados?

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Capítulo 8 – Vidas em verso e as vozes de um país diverso

Resumo rápido

Capítulo 8 – Vidas em verso e as vozes de um país diverso

Resumo rápido

1O poema: versos e rimas

O poema é um gênero textual muito antigo, escrito em versos (cada linha do texto). Um grupo de versos forma uma estrofe.

As rimas são sons iguais ou parecidos no fim dos versos. Elas dão ritmo e musicalidade e ajudavam as pessoas a memorizar histórias antes da escrita.

No Brasil, os poemas de hoje dão voz a povos bem diferentes: indígenas, africanos, europeus e todos os que formaram nosso povo.

Exemplo

  • Lá na úmida senzala, / Sentado na estreita sala — dois versos que rimam (senzala/sala).

2Eu lírico e sotaque

O eu lírico é a voz que fala dentro do poema. Ele é uma criação do autor, e não o autor em pessoa.

Sotaque é o jeito diferente de pronunciar as palavras de uma mesma língua. Ele muda conforme a região e o tempo. Nenhum sotaque é certo ou errado — só diferente.

Exemplo

  • No poema Sotaque, de Lázaro Ramos: É oxente, é uai, é tchê — três expressões de regiões diferentes do Brasil.

3Verbo

Verbo é a classe de palavras que, sozinha, exprime um fato. Esse fato pode ser uma ação, um estado ou um fenômeno da natureza.

O verbo é variável: ele muda de forma para indicar o tempo (passado, presente, futuro) e a pessoa do discurso (eu, tu, ele, nós, vós, eles).

📐 Para guardar

  • Ação: O africano canta | Estado: O Brasil é diverso | Fenômeno: Amanhece cedo
  • Tempo: cantou (passado) – canta (presente) – cantará (futuro)

Exemplo

  • Cantou → 3ª pessoa do singular (ele); Cantamos → 1ª pessoa do plural (nós).

3.1Locução verbal

Locução verbal é a junção de dois verbos que, juntos, valem por um só. Um é o verbo auxiliar (mostra o tempo e a pessoa) e o outro é o verbo principal (carrega o sentido).

📐 Para guardar

  • vou escrever = escreverei

Exemplo

  • Você vai conhecer as vozes do Brasil. → auxiliar: vai; principal: conhecer.

3.2Formas nominais

Nas locuções, o verbo principal aparece nas formas nominais. Elas se chamam assim porque funcionam como verbo e também como nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). São três: infinitivo, particípio e gerúndio.

Infinitivo: forma original do verbo, terminada em -ar, -er, -ir, -or (falar, correr, partir, pôr). Pelo infinitivo vêm as conjugações: 1ª (-ar), 2ª (-er/-or) e 3ª (-ir).

Particípio: mostra o resultado, o fato já concluído. Termina em -ado/-ada ou -ido/-ida (falado, dormido). Pode virar adjetivo: versos rimados.

Gerúndio: mostra a ação em andamento e termina em -ndo (falando, correndo).

Exemplo

  • Vamos falar do Brasil (verbo) / O falar brasileiro é diverso (substantivo).

3.3Particípios irregulares e duplos

Alguns verbos têm particípio irregular, sem -ado/-ido: dito, feito, escrito, visto, aberto, coberto.

Outros têm duas formas. Com os auxiliares ter e haver usa-se a forma regular; com ser e estar, a irregular.

📐 Para guardar

  • Eu havia imprimido o texto / O texto será impresso

Exemplo

  • Nós tínhamos aceitado o convite / O convite seria aceito.

3.4Verbos regulares e irregulares

O radical é a parte do verbo que guarda o significado (em falar, o radical é fal-).

Verbo regular: o radical não muda ao conjugar (eu falo, tu falas, nós falamos).

Verbo irregular: o radical muda em algumas formas (fazereu faço, tu fazes; pedireu peço, nós pedimos).

Exemplo

  • dizer é irregular: eu digo, tu dizes.

4Figuras de linguagem

Figuras de linguagem são recursos que usam o sentido figurado das palavras para deixar o texto mais expressivo. São muito comuns em poemas.

Comparação: aproxima dois elementos usando palavras como como, que nem, tanto, quanto, feito. Ex.: Marina é inteligente como uma cientista.

Metáfora: também compara, mas sem essas palavras de ligação. Ex.: Os olhos de Rafael são rios profundos.

Metonímia: troca um elemento por outro que tem relação de proximidade. Ex.: Li Márcia Kambeba (li o livro dela).

Personificação (ou prosopopeia): dá características de gente a objetos, animais ou coisas da natureza. Ex.: As folhas estão dançando ao vento.

Ironia: usa a palavra com sentido oposto ao original, para criticar ou fazer humor. Ex.: Que maravilha! O elevador quebrou e vou subir 20 andares.

Exemplo

  • No poema de Márcia Kambeba: A água é a mãe que sustenta (metáfora) e A vida que nasce como uma flor (comparação).

5Resumo do gênero poema

O poema é organizado em versos, agrupados em estrofes, com uso frequente de rimas e figuras de linguagem.

Pode tratar de qualquer assunto, desperta emoções e quase sempre permite mais de uma interpretação. Quem fala nele é o eu lírico.

6Produção: escrevendo seu poema

Planeje o conteúdo (o que você quer dizer sobre suas origens e o Brasil) e a estrutura (quantos versos por estrofe e quais vão rimar).

Os padrões de rima mais comuns são: emparelhadas (versos vizinhos rimam: AABB), alternadas (rimam de dois em dois: ABAB) e opostas (o 1º com o 4º e o 2º com o 3º: ABBA).

Depois escreva a primeira versão, dê um título, revise a estrutura, o tema e a escrita, e passe a limpo para o sarau.

Exemplo

  • Emparelhadas: Quando soar meu canto / Não haverá espanto.

Toque em Exercícios para praticar o conteúdo.